Sobre o "Eu te amo" que nunca foi dito.




Por causa de uma noticia triste, voltei a me lembrar de você.
Lembrei que te via passando na escola e comentava com todas as minhas amigas:
“Olha como ele é lindo, um dia eu me casarei com ele”. Elas riram.
Você não sabia, é claro. Mas eu te olhava pelos corredores, e a cada oi que era me dado minhas pernas tremiam. Ah inocência!
Segurei minhas palavras, segurei o “ Eu te amo”, segurei o “Oi, você quer sair comigo?” por medo, medo de dizer não, medo de estragar tudo, sempre deixei para depois.
Mas o depois não chegou e nem vai chegar.
Domingo, ocioso como sempre, no meio de uma conversa alguém me fala “ Lembra de fulano? Faleceu noite passada.”.
Respirei fundo e voltei à realidade, o fulano era você.
Doeu, e Dói.
É estranho saber que você não está mais nesse plano, que por um acaso não te encontrarei mais pelas ruas desse bairro pequeno, que não terei mais a chance de um dia falar para você o que senti naquela época de uniformes e professores rígidos.
O que mais doeu foi o que veio em seguida, no meio da conversa quando as lágrimas já haviam tomado conta do meu rosto um amigo disse: “E você sabia que ele sempre te amou? Só tinha medo de te falar.”
Será que eu posso te falar agora? Será que você me escutará? Valerá o esforço?
Pois bem, saiba que eu amei cada sorriso seu, saiba que a cada sonho perdido seu eu me encontrava. Que amei cada parte de você, do seu cabelo bagunçado à seu tênis rasgado.
Será que agora vale de algo? Serão apenas palavras perdidas?
Prometo que na outra vida, quando nos encontrarmos prometo não guardar o que senti , prometo que irei dizer , sem medos , isso não existirá mais entre nós.
Agora, que o choque passou, os “ E se” aparecem na minha cabeça. E se não tivéssemos medo? E se nós tivéssemos falado tudo que sentíamos, seria tudo diferente? Teríamos vivido algo? . Teríamos ficado separados esse tempo todos? .
Começa a chover e mudo a música, pois sei que nenhuma palavra, nenhum gesto te trará de volta.

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